Anos atrás eu sentei nesta cadeira e comecei a escrever. Não era bem neste quarto, nem nesta mesa, nem sob esta mesma luz amarelada. Mas era sobre esta cadeira.
Naquela época era bonito ser triste e solitária. Mal sabia eu que desconhecia tais conceitos. Mas era bonito chamar a morte de melhor amiga e sentir-se suicida.
Quando ainda ouço o uivo da noite a me chamar pela janela, lembro.
Era bonito ser fraca e ser último dia de nossas vidas.
Mal sabia eu que naquela época eu era forte. Nunca verdadeiramente sozinha ou triste e compreendida até por demais.
Sentava-me nesta mesma cadeira e tocava uns acordes no violão. Olhava os telhados das casas e pensava no amanhã. Amanhã estarei morta? Improvável, mas não impossível - tola. No fundo eu sabia que jamais iria morrer.
Estraguei o que me restava de tendão na mão direita e depois na esquerda.
E depois fiquei numa eterna câimbra no músculo que segura o pescoço.
Hoje me sinto mais triste - de verdade - e mais fraca do que naquela época.
No entanto, creio que, dessa vez, não seja somente para fazer poesia.
Luciana Pontes
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