domingo, 7 de junho de 2015

Tempo

Há um corpo que pede para ser movido. Há este corpo que roça na cadeira as costas que outrora corriam. Essa sou eu, imóvel. Imóvel e colocada em frente à tela colorida e brilhosa de um computador. Bem, há coisas a fazer que devem ser feitas. Não há desculpa, não há descaminho. Não se pode calcular o tempo em palavras, para que se possa correr nas horas vagas - a corrida e o grito. Não há horas vagas.

O caderno de capa preta que agora me pertence por trinta reais não tem linhas. Há somente um início, cheio de horários repetidos semana a semana. Há meu nome. Há um pouco de escritos sobre a aula que não pode ser terminado devido à criatividade. Eu, sentada na cadeira da sala de aula. Não pude conter. Relatei brevemente o ocorrido num sonho-realidade. A mistura dos dois que forma uma coisa terceira que nem sei. Sei que o é, e fim. Não houve borracha que apagasse, e aquele tremor anterior à poesia novamente se instalou em mim. Droga.

Agora sou eu novamente. Eu, sempre sendo eu, com a cabeça em Verona, mas o corpo em Porto Alegre, em frente ao computador. Uma vez descobri que não estava fazendo nada para realizar os planos que escrevia na última folha de caderno pautado - aquela folha rebelde que todos os anos era usada para reclamações, declarações de amor, palavrões, riscos, jogo da velha (tudo praticamente a mesma coisa). Sempre escondidas essas vontades, as coisas erradas, o que só é feito sem que ninguém veja. Bem que a vida poderia ser esta última folha de caderno, só que livre.

Quem se engana em pensar que eu tenho tempo para escrever isso aqui. Essa sou eu, sem tempo. E quando o terei? Se tive, quis não ter. Na realidade, eu deveria estar dançando jazz.

Eu deveria estar dançando jazz.





Luciana Pontes

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

The blue girl blue


Amanheci.

Luciana Pontes

Cadeira

Anos atrás eu sentei nesta cadeira e comecei a escrever. Não era bem neste quarto, nem nesta mesa, nem sob esta mesma luz amarelada. Mas era sobre esta cadeira.
Naquela época era bonito ser triste e solitária. Mal sabia eu que desconhecia tais conceitos. Mas era bonito chamar a morte de melhor amiga e sentir-se suicida.
Quando ainda ouço o uivo da noite a me chamar pela janela, lembro.
Era bonito ser fraca e ser último dia de nossas vidas.
Mal sabia eu que naquela época eu era forte. Nunca verdadeiramente sozinha ou triste e compreendida até por demais.
Sentava-me nesta mesma cadeira e tocava uns acordes no violão. Olhava os telhados das casas e pensava no amanhã. Amanhã estarei morta? Improvável, mas não impossível - tola. No fundo eu sabia que jamais iria morrer.

Estraguei o que me restava de tendão na mão direita e depois na esquerda.
E depois fiquei numa eterna câimbra no músculo que segura o pescoço.

Hoje me sinto mais triste - de verdade - e mais fraca do que naquela época.

No entanto, creio que, dessa vez, não seja somente para fazer poesia.


Luciana Pontes

domingo, 22 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Início ou Após cinco anos ressurge quem nunca deixou de existir.

Anos atrás eu diria que mais tarde é um tempo longe demais. Atualmente, porém, o que não fica pra depois nunca é feito. O que parte de mim que não é mostrado não o é por ser ininteligível, obscuro. Só que a escuridão me dá novamente boas-vindas.

Este é um blog sobre tudo.


Luciana Pontes